Havia
uma lua de prata e sangue
em cada mão.
Era Abril.
Havia um
vento
que empurrava
o nosso olhar
e um momento
de água clara a escorrer
pelo rosto
das mães cansadas.
Era Abril
que descia
aos tropeções
pelas
ladeiras da cidade.
Abril
tingindo de
perfume os hospitais
e colando um
verso branco em cada farda.
Era Abril
o mês
imprescindível que trazia
um sonho de
bagos de romã
e o ar
a saber a
framboesas.
José Fanha
Tempo azul
Ilustração de Marta Nunes

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